Matar a saudade dá mais saudade ainda

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Depois de 5 meses longe de casa eu tive a oportunidade de visitar minha família e amigos no último feriado. Fazem dias que quero escrever sobre isso, mas o tempo tá tão maluco, passando tão rápido e me consumindo tanto, que não tenho parado para falar sobre como estou lidando com a saudade.

Talvez, isto seja até o meu refúgio. Fugir.

Talvez no fato de fugir de pensamentos sobre “como lidar com a saudade” eu encontrei uma paz. Até porque não ficar pensando muito em algo ajuda bastante quando não sabemos ao certo como encarar a situação.

Mas acontece que hoje eu resolvi dizer, pra vocês que foi inexplicavelmente bom a minha ida para Ituiutaba. Relembrar a rotina, reencontrar todo mundo, me fez muito bem. Principalmente pelo fato de que pude testemunhar que a vida de todo mundo seguiu normal sem eu por perto. Não que eu me achasse importante demais e estivesse pensando que alguém fosse morrer com a minha ausência, mas é só pra gente parar pra refletir na pequena influência no mundo.

É incrível a sensação de voltar pra casa. Meu coração estava em euforia!

Estar novamente em casa me fez relembrar os motivos que me fazem amar a vida no interior. Me fez relembrar o quanto cada serumaninho da minha família é especial. E o quanto cada amigo (os de verdade) continua sendo amigo, mesmo que tenha se passado tanto tempo sem a gente se encontrar.

Voltar pra casa é sempre bom porque nos ajuda a exaltar o amor. O amor aos meus animais, ao pôr do sol naquela cidade, as plantas do quintal de casa, a minha roseira que estava linda e cheia de flores – é muito bonito pensar que plantei aquele pezinho pequeninho, reguei, cuidei, conversei. E hoje não importa onde eu esteja, ele continua lá no mesmo lugarzinho e cheie de flores.

Voltar pra casa me fez ficar desacreditada em como eu consegui sobreviver tanto tempo longe deles. Eu quase me senti mal por ter demorado tanto pra voltar. Mas ao mesmo tempo aliviada. O tempo passa, a gente se transforma, as coisas mudam, porém o que realmente importa, aquilo que é a essência que une nossos laços continua lá. Sempre igual.

Que saudade que eu tava do meu mundinho! Que saudade das minhas pessoas, da minha casa, da comida da mamãe, das conversas jogadas fora na casa das minhas vovós, dos almoços com o papai, do rolê com meus amigos, da minha cama, do meu piano, dos meus doguinhos e gatinhos, do meu antigo trabalho, de correr na rua no pôr do sol e olhar para aquela curva linda que o Sol faz ao se despedir, que só é possível assistir na esquina da Rua Pepino Laterza com a Praça José Bonifácio.

Que doidera essa sensação de que matar a saudade faz sentir mais saudade ainda. Não faz sentido algum. Mas acho que é exatamente isso que faz esse sentimento confuso ser o mais louco e especial que já senti em toda a minha vida.

Acho que é isso que chamam de amor.

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Uma designer mineira, 26 anos, podem me chamar de Mica. Luto contra eu mesma todos os dias. Às vezes ganho, às vezes perco… mas não desisto. Esperem de mim um bocado de textos sobre arte, flores, fé, receitas de bolo, amores e mimimi.