Minha relação com a publicidade: de bixete inconformada à profissional apaixonada

Leia ao som de: Glad you came – The Wanted (música que entrei na formatura)

Esses dias atrás me pediram para fazer uma postagem sobre a escolha da minha faculdade. Confesso que estou muito atrasada pra falar desse assunto!! Mas agora chegou a hora hahaha..

Então, meio que todo mundo já sabe que eu sou publicitária, mas dai eu vim contar pra vocês como que eu cheguei até aqui. Mas já adiantando, foi um processo longo e complexo hahaha.

Parece que foi ontem, mas na verdade era 2006, eu estava no 1º do colegial, quando, do nada eu tomei uma decisão: “quero ser jornalista”. Foram essas as minhas palavras pra minha melhor amiga do colégio Thassiana. Eu sempre gostei de escrever, sempre fui boa em língua portuguesa, sempre fui muito rápida pra ler e escrever, tinha boa dicção e realmente era apaixonada por poesias. Foi baseado nisso que eu me decidi.

Eu passei os três anos do colegial com essa ideia de ser jornalista em mente. Eu queria ser redatora, porque na época eu tinha vergonha, hahaha jamais pensava que iria conseguir ser filmada pra televisão. Lembro-me que terminei o colégio e no final do terceiro ano eu prestei vestibular para jornalismo na UFU – Universidade Federal de Uberlândia, também UFG – Universidade Federal de Goiás, na Unitri – Centro Universitário do Triângulo e na Uniube – Universidade de Uberaba. Enfim, duas particulares e duas federais. Eu passei nas duas particulares e não passei nas federais. Na época, eu estava prestes a completar 18 anos e não me sentia preparada pra mudar de cidade – todas eram fora de Ituiutaba – foi aí que não resolvi adiar meu “sonho” e não prestar o jornalismo.

Meu plano B era fazer administração. Tá, eu nunca gostei de administração, acho muito metódico e eu tenho a cabeça totalmente redonda – fato este que eu não sabia até então. Dizem que quem não sabe o que quer da vida presta administração, que é um curso bastante abrangente. Foi o que eu fiz, me inscrevi no vestibular da Faculdade Triângulo Mineiro de Ituiutaba para o curso de ADM. Nessa parte que a história fica mais maluca ainda!! hahaha Eu fui fazer matrícula com meus pais para administração, totalmente desmotivada, mas me sentindo pressionada a ter uma graduação. Chegando na FTM, eu encontro uma ex-professora do colégio. Adivinha de que matéria? hahaha português, a minha disciplina preferida!

Fui conversar com a ex-professora, que na época era a coordenadora da faculdade. Ela vendo minha desmotivação ao fazer ADM e sabendo do meu sonho de jornalismo, me perguntou – lembro como se fosse ontem – “Por que você não faz publicidade? Depois você cursa jornalismo eliminando muitas matérias, afinal é tudo Comunicação Social!” Gente, até aquele dia eu nunca tinha ouvido falar no curso de Publicidade! hahahaha eu não fazia ideia do que esse povo estranho fazia.

Eis que a minha história começou a tomar um novo rumo naquele exato momento. A matrícula que havia ido fazer para administração, se tornou uma matrícula para um curso totalmente fora do que eu esperava pra mim. E assim como meu caso de amor e ódio com a PP.

Fevereiro de 2009

Começaram as aulas. Eu com 18 anos na faculdade. Éramos mais ou menos 25 alunos e eu não conhecia ninguém. Primeiro dia de faculdade é sempre aquela coisa, você não sabe se pode sentar em qualquer lugar hahaha não sabe se pode sair mais cedo, se pode chegar atrasado, não sabe se leva caderno, mochila, não sabe nem com que roupa você vai hahahaha desespero total! Bom, lá estava eu na minha disciplina de “Fundamentos e técnicas da propaganda” com a professora Keka Demétrio, que pediu para que cada um falasse em qual área da PP queria trabalhar. Gente, eu não fazia nem a menor ideia de quais áreas existiam na publicidade!! Como eu ia dizer em qual área eu gostaria de trabalhar! hahahaha

Primeiro semestre

Lembro que o rapaz sentado na primeira cadeira falou: “Criação, quero trabalhar com criação!” O que foi muito engraçado porque todo mundo depois dele respondeu a mesma coisa hahaha – até hoje eu não sei se realmente todo mundo queria criação ou se ninguém sabia outra área pra citar e foi tipo “maria vai com as outras“.

O ano letivo foi acontecendo, eu fiz grandes amizades. O pessoal da PP é meio maluquinho mesmo.

Como todo curso, eu gostava de algumas matérias e odiava outras, curtia alguns professores e faltava às aulas de outros hahaha.

Durante os meus quatro anos de faculdade, a frase que eu mais dizia era: “Vou trancar PP e ir pra Uberlândia fazer jornalismo”. Eu cheguei mesmo a ir pra Uberlândia na ESAMC e na UNITRI pegar a documentação necessária pra fazer a transferência. Já tinha até lugar pra ficar temporariamente. Eu acho que fui muito chata para os meus amigos porque eu falava disso todos os dias. Sem falar, que durante o curso eu prestava, todos os vestibulares possíveis pra jornalismo ao longo do Brasil hahaha.. na verdade eu passei em vários, mas não enxergava condições pra ir, não parecia sensato pra mim.

Eis que com muita vontade desistir no meio do caminho, mas me divertindo a beça com meus amigos, eu terminei PP com louvor. Nota 8, com muito orgulho em um TCC super avaliativo e discutido. Não sei se vocês sabem, mas o TCC de PP consiste, geralmente, em montar uma agência e criar uma campanha de comunicação para algum cliente real. Nós criamos para um restaurante de macarrão. Foi sucesso!

Agência da Mica
12 de dezembro de 2012

Pera, os maias diziam que este seria o fim do mundo num é? Na verdade, foi a minha formatura hahahhaa. No meio do caminho, vários alunos desistiram, da turma de 25, somente 5 se formaram e formamos muito bem!

Eu disse que o povo é meio maluquinho.
Vida pós faculdade

Terminei a faculdade e já se iniciava 2013. Eu precisava de um emprego. Comecei a procurar. Dúvidas tomavam a minha cabeça ainda, me mudo pra Uberlândia pra cursar o curso dos meus sonhos? – Eu nunca me via trabalhando na área da publicidade, pensava que jamais iria trabalhar em uma agência. Me mudo para São Paulo? Todo os vestibulares que tinham nessas duas cidades para universidades públicas eu prestava. Afinal, eu entendia/pensava que não podia fazer outra faculdade paga ahahaha ai ai ai.. E assim foram se passando os anos, fiz depois da faculdade mais 1 ano de cursinho pré-vestibular. Prestava todos os Enem’s, UFU’s e Fuvest’s rs. E sempre sobrava aquela frustração, porque eu nunca fui de estudar pra vestibular. Na verdade eu tinha um ódio mortal de química hahaha um bloqueio total e nunca aprendi, pra ser sincera.

Eu fui me desgastando todos os anos, ficando cansada dessa vida. E entre idas e vindas: Ituiutaba/Uberlândia/São paulo, atrás de emprego e atrás de passar no curso jornalismo e nada. Eu estava realmente cansada e quase desistindo. Foi quando voltei a morar em Ituiutaba (somente).

Meu primeiro emprego – efetivamente

Há exatos 2 anos e 16 dias eu começava o meu primeiro dia de trabalho em um portal de notícias chamado Pontal em Foco. Sim, irônico a vida né? Desde o colegial eu queria ser jornalista, tentei de todas as formas, mas a vida só me trazia de volta pra publicidade. Virei publicitária contra minha vontade. Começo a procurar emprego no ramo da publicidade e consigo o meu primeiro emprego em um jornal! COMO JORNALISTA! Genteeee, até hoje eu paro pra pensar na loucura que foi/é minha vida profissional hahahahahaha

Entrei pro jornal. Meu chefe começou a me levar pra todos os lugares pra ver coisas/pessoas/situações. Quase todos os dias a gente ia na Delegacia entrevistar algum meliante, ops suspeito – se tem uma coisa que a gente aprende no jornalismo é só tratar o acusado de ‘bandido’ depois do julgamento, porque todo mundo é suspeito até que se prove o contrário hahaha. Parágrafo de dicas a parte, a gente sempre ia ver as mais adversas situações: estupro, tráfico, assalto, homicídio, roubo, acidentes. Muitas das situações era muito sofridas, e me arrancavam litros e litros de lágrimas, mas era preciso ser forte.

Minha primeira matéria no jornal

Minha primeira matéria, me faz chorar até hoje só de lembrar. Era um caso de Estupro de Vulnerável. Quem quiser ler pode clicar aqui. Resumindo, era um tio que estuprava uma criancinha de 4 anos com o consentimento da mãe. Ver a cara daqueles safados, falando tranquilamente sobre o que acontecia. Escutar os detalhes e ver a cara de quem estava achando tudo aquilo normal, meio que mudou a minha vida.. Foi chocante! Foi horrível!

Fim do sonho

Os primeiros dias de trabalho no jornal foram difíceis, porém decisivos. Foi aí que eu me dei conta de que não queria ser jornalista. Eu realmente não tinha/tenho estrutura pra tal. Não é que jornalista não tem coração, é que simplesmente ele consegue ser profissional a ponto de abstrair o necessário e não deixar que as dores daquele caso interfiram na sua vida pessoal, no seu sono, alimentação e tal.

Enfim, com a rotina de trabalho eu percebi que eu não tinha o perfil pra ser jornalista. Além das dificuldades que eu citei acima, jornalista precisa ser curioso, ter alma investigativa, sem chato mesmo. Arrancar informações das pessoas, muitas das vezes na canseira, e eu odeio ser invasiva ou ‘espicula’. Acredito que meu chefe tenha visto que eu não levava muito jeito ahahaha porque desde então, eu comecei a trabalhar no jornal com a publicidade. Eu comecei a fazer banners dos anunciantes, e fui gostando de trabalhar com a criação. Foi nesse trabalho que eu fiz minha primeira logo, meu primeiro site, meu primeiro slogan, meu primeiro banner HTML 5, minha primeira identidade visual para um cliente real, meus primeiros relatórios de resultados, minha primeira camiseta, meu primeiro adesivo de carro, parede, porta, sei lá meu, meus primeiros todas as coisas na criação. E a cada dia que passava eu amava mais essa área.

Hoje em dia eu sou muito decidida quanto ao que eu gosto de fazer: eu amo criação e internet. Sou muito agradecida porque foi por meio do meu trabalho que eu me encontrei de verdade e descobri a minha paixão. Quero fazer agora um curso de marketing digital e aprofundar nesse mundo. Mas hoje posso falar em alto e bom som: SOU APAIXONADA POR CRIAÇÃO! Eu amo a publicidade! E sim, quero muito trabalhar em uma agência digital hahahaha.

Hoje, eu olho pra trás e penso que ter ficado na casa dos meus pais láaaa em 2009 e cursado Publicidade e Propaganda foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Com certeza o dedo do Papai do céu estava lá, me colocando naquele curso e me mantendo nele durante os 8 semestres. Pensem, eu fui me matricular em administração! Que administradora infeliz eu seria! Tantas coisas na administração que eu não curto!! E olhem onde eu vim parar.

Sou muito realizada em ter encontrado a minha paixão. E agradeço a Deus que estava o tempo todo com tudo sob controle, me observando e cuidando de mim. Na época, eu não entendia porque eu estava fazendo aquele curso se o que eu queria era outro. Na época eu ficava confusa, achava que Deus tinha se esquecido de mim, porque eu não via oportunidades pra sair da faculdade e tudo que eu tentava fazer pra sair me levava de volta pra lá. Naqueles dias eu não sabia o motivo. Mas Deus tinha todo um plano preparado pra mim e hoje eu vejo claramente o seu cuidado. E tudo aconteceu da melhor forma.

Enfim gente essa é a minha história de como eu virei uma publicitária feliz e que procura sempre melhorar dentro dessa área linda e mágica! E vamo que vamo que eu tenho o mundo pra abraçar!

Comente

Comentários

Uma designer mineira, 26 anos, podem me chamar de Mica. Luto contra eu mesma todos os dias. Às vezes ganho, às vezes perco… mas não desisto. Esperem de mim um bocado de textos sobre arte, flores, fé, receitas de bolo, amores e mimimi.

About the author

Micaela Garcia

Uma designer mineira, 26 anos, podem me chamar de Mica. Luto contra eu mesma todos os dias. Às vezes ganho, às vezes perco… mas não desisto. Esperem de mim um bocado de textos sobre arte, flores, fé, receitas de bolo, amores e mimimi.

View all posts