“Será que ele vai me ligar amanhã de manhã?” O primeiro encontro

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Desaprendi a caminhar de mãos dadas, olhar nos olhos e avisar que cheguei bem em casa. Desaprendi porque nessa vida de solteira relacionamentos podem não existir mais amanhã de manhã. E é preciso estar com o coração preparado para não criar expectativas.

Perguntas como “Será que ele não fala isso pra todas?”, “Será que ele não traz todas pra esse lugar?”, “Será que ele vai me ligar amanhã de manhã?”, são recorrentes. Não me julguem, mas quem é que fica totalmente confiante em si próprio quando o assunto é o primeiro encontro.

A primeira saidinha é bem tranquila, papos rolam combinados com muitas risadas, olhadas esporádicas  para conferir o WhatsApp. Não temos fotos juntos, nem aquela intimidade pra contar coisas pessoais. Toques? Só durante o primeiro beijo que  vem acompanhado de pequenos cafunés no cabelo.

No segundo encontro vai ficando perigoso, afinal, lembrei dele ao longo da semana e surgem paranoias do tipo: “será que ele também se lembrou de mim?”, “ou será que só me chamou pra sair, porque todas as outras estavam indisponíveis?”. Essa dose de insegurança aliada aos beijos carinhosos dentro do carro, ao me deixar em casa, deixa o relacionamento muito mais emocionante.

Não é fácil marcar encontros, os problemas começam desde a hora de aceitar, com aquela demora proposital em responder o whatsapp – afinal, já lemos a mensagem quando chegou a notificação – mas fazemos aquele ‘doce’ básico para parecer que teríamos algo mais importante pra fazer essa noite, mas já que ele insiste…  aceitamos. Depois as dificuldades continuam: temos que escolher a roupa. O look não pode ser provocante demais – pra não parecer que estamos desesperadas – mas também não pode ser sério demais. É tenso o momento de pagar a conta, não sabemos se oferecemos, se deixamos o homem pagar, é tudo tão complicado – (feminismo? cavalheirismo? – tópicos a serem discutidos). A noite termina com um beijo de despedida.

O que vem depois? Nunca se sabe.

Medo, insegurança, ansiedade tudo junto. Aquela cobrança que fazemos a nós mesmas em não criar expectativas, mas sempre falhamos.

Primeiro encontro é sempre essa coisa louca, um misto de medo dele não rir da nossa piada, medo de ficar um alface preso no meio do dente, medo de parecer uma louca, medo de exagerar na maquiagem, a comida pode não estar tão gostosa mas temos que fingir que está, o garçom pode vacilar no atendimento, a luz pode acabar, podemos tropeçar, tudo pode acontecer. Mas entre tragédias e risadas, no final dá tudo certo e vira história.

Mesmo se você ainda estiver a fim e ele não te ligar amanhã de manhã, vai dar tudo certo, relaxa o coração menina.

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Uma designer mineira, 26 anos, podem me chamar de Mica. Luto contra eu mesma todos os dias. Às vezes ganho, às vezes perco… mas não desisto. Esperem de mim um bocado de textos sobre arte, flores, fé, receitas de bolo, amores e mimimi.