Introvertida, eu?

Ouvir o que as pessoas acham de você, são coisas que sempre nos deixam de uma certa forma assustados e desconfortáveis, não é? Parece que a gente sempre tem uma imagem nossa muito diferente do que como as pessoas realmente nos enxergam.
Desde que eu vim morar em São Paulo a minha vida mudou bruscamente e de todas as formas possíveis de serem imaginadas. Mas de tudo que tem mudado na minha vida, o que mais me deixa me sentir estranha é o fato de ter que me relacionar com pessoas diferentes.
A vida toda me relacionei com certas pessoas e agora essas pessoas não estão mais aqui… Só que eu preciso ter amizades, preciso me relacionar. Mas as pessoas são outras, e agora? Elas não me conhecem, elas são diferentes… e se…?
Eu lembro que no tempo do colégio, eu era bem pop, lançava moda, era ousada e desde então nunca liguei pra opinião de ninguém eu era do tipo, “Ah eu uso meu cabelo dessa forma porque eu gosto e não tô nem aí se você não gosta!”Eu sempre fui assim, todos me conheciam, me chamavam de ‘mica’ e era maneiro ter apelidos na época, e eu tinha amizade com a galera ‘cool’. 
Depois eu mudei de colégio, pra um totalmente desconhecido e cheio de gente que era considerada ‘metida’, e tive certa dificuldade de me enquadrar… mas acho que é porque eu sempre fui meio que ‘do povo’, sabe? Sei que tenho essa cara de patricinha, mas eu sou é muito simples, na verdade. Mas enfim, acabei fazendo amizades no colégio novo e quando saí de lá, já era amiga de todo o ‘terceirão’.
Mas aí eu cresci, fui pra faculdade, lá eu era amiga de todo mundo, amiga de todos os bixos e alunos da minha sala. Pela primeira vez fui fazendo amizades com professores e pessoas mais velhas. Era muito legal!
Eu sempre tive dificuldades em fazer amizades com pessoas mais velhas, essa que é a verdade. Sou muito boa com crianças e adolescentes, mas parece que existe uma barreira entre eu e os mais velhos.
Eu não sei se é porque todos julgam que eu seja mais nova do que realmente sou (culpa dessa cara de neném), que eu tenho esse bloqueio. Na verdade eu não sei o que acontece.
Pelo o que me conheço, eu só consigo me soltar com quem eu gosto de verdade e com quem me passa confiança. Mas por que?
Pelo que sei não sou nada intrometida e curiosa, eu nunca gostei de gente ‘pidona’ e de gente que fica cuidando da vida dos outros, o que é estranho pois quero ser jornalista hahahaha. Mas é que eu acho tão inconveniente gente que faz interrogatório.
Mas o motivo de eu estar escrevendo sobre isto, é que hoje, pela primeira vez me disseram que eu sou introvertida. E quem disse isso foi uma das pessoas que eu mais gosto no mundo todo. Isso me doeu. Não sei se é pelo fato de que a verdade dói, porque nem sei se isso é verdade.
Como diz o grande pensador contemporâneo, Alexandre Pires: ‘sou de fazer, não sou de falar.’
Mas poxa, eu fui oradora da minha turma falei pra mais de mil pessoas um texto de quatro páginas que eu mesma escrevi, e emocionei tanta gente. Pessoas que eu admiro tanto me elogiaram bastante naquele dia. E no meu TCC, me disseram que eu tinha tanta desenvoltura pra falar em público, e eu de fato adoro um microfone. Curiosamente acho instigante falar para mil pessoas!
Como podem agora me dizer que sou introvertida?
Só porque eu sou séria, sistemática, caseira, gosto de planejar, gosto de fazer as coisas sozinha, porque aí fica do jeito que eu quero, mas ao mesmo tempo adoro rir, sou boba e tenho amigos idiotas (poucos amigos). 
Mas como posso me definir, afinal? 
…Quieta e solta, temperada, depende a quem..
Mas aí vem a pergunta que não calar, eu preciso mesmo ser extrovertida e pop, para ser feliz? Preciso ser aquela pessoa que todos esperam para começar a festa?
O fato de eu ser meio introvertida me revela como uma pessoa reflexiva, centrada, focada, racional, sou menos influenciável e ainda por cima, tenho opinião mais arraigada, corro menos riscos. Isso são ótimas características profissionais. Ah eu sou muito transparente, não sei fingir as coisas, se estou triste, estou triste, se estou chateada, estou chateada, mas se estou feliz fico radiante. Mas eu gosto tanto de jogar conversa fora, de falar sobre assuntos banais, e sou tagarela. Ah vale lembrar que eu odeio falar no telefone rs.
Mas a minha introversão não me revela como uma pessoa doente e antipática, eu só provavelmente não vou ficar rindo de todas as bobeiras que eu ouvir e não aprovar.
Eu prefiro acreditar que essas pessoas cheias de ‘amigos’, na verdade só têm esses amigos, por gostarem desse lado espontâneo da pessoa, e esses mesmos amigos, na hora dos momentos ruins, caem fora e procuram outra farra.
Eu sinceramente prefiro ser especial para poucas pessoas do que pra todo mundo. 
Mas o que é estranho é que geralmente as pessoas costumam gostar de mim, então devo não ser tão introvertida assim, quanto me disseram.
O que eu não gosto mesmo é de gente ‘puxa saco’, ‘anima festa’, ‘força barra’, ‘posers’.
Pra mim isso é tudo chato! E quer saber, eu sou da área da comunicação sim, é o que eu gosto e o que sei fazer. Mas não preciso ser o ‘cara legal’ pra todo mundo. 
Posso continuar criando por trás de um computador ou posso utilizar meus momentos de descontração para falar o que eu quiser falar, quando eu quiser falar, pra quem eu quiser falar.
A vida é muito curta pra você ter que ficar fingindo ser quem não é, e eu posso ser publicitária e criar muita coisa sem ter que ser legal com os clientes, ou posso ser escritora, escrever meus futuros best sellers e vendê-los com meu sorriso bonito estampado no rosto.
Gente!!! O fato é, quem quiser me conhecer melhor que se aproxime, será muito bem vindo, e quem não quiser e me julgar do que eu não sou, tá errado, porque não se julga o que não se conhece. 
Eu vou sendo legal do meu jeito e quem não gostar, só lamento.
Um beijo no rosto pra quem me acha carismática e um ‘bejin no ombro’ pra quem não me deixa ser eu.

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